2 de abril de 2011

Tudo Bem

Tudo bem
Eu vou me ajeitar por aqui
Eu vou me acertar, pode ir
Não precisa se preocupar comigo
Eu vou fingir que entendo os seus motivos
Até acreditar que quem errou fui eu

Tudo bem
Eu vou me esquecer do que vi
Não vou te culpar, pode ir
Não sou do tipo que castiga
O meu cativeiro não esconde a saída
E você está livre para respirar
O novo ar que te envolveu

Leve todos os seus livros
Deixe intacto os meus discos
Apague o meu nome das páginas
Não derramarei nenhuma lágrima
Ao ouvir a nossa canção

Um dia a gente se encontra por aí
E eu vou te mostrar o quanto evoluí
Vamos sentar para conversar
E, civilizados, vamos rememorar
A vida que tivemos em mãos

Tudo bem
Confesso que não sou tão forte assim
E lá no fundo eu desejo que sejas infeliz
Mas a minha boca não confessa
A minha alma seca
Ao te ver indo embora...

[Anderson Lopes]


6 de fevereiro de 2011

Por Trás das Portas


Ruas, digam-me onde ela mora
Em que casa ela se guarda
Para o primeiro que aparecer

Digam-me em que esquina ela se desdobra
E se divide entre a santa e a outra
Para se encontrar e se perder

As pedras que por ela rolam
Na certa saberão dizer
Por trás de qual dessas portas ela se tranca
Depois de tanto acontecer

Ruas, digam-me em que janela ela joga
Os seus versos ao vento
Para o tempo colher.

[Anderson Lopes]