30 de outubro de 2011

Bruna

Quanta dor há naquela menina
Tão nova ainda
E a tristeza já fez morada
A vida pesa
Naquelas mãos delicadas

Amores já viveu
Com a experiência de mulher já feita
Amores já perdeu
Já derramou prantos de viúva aflita
A pele muito jovem
Reveste a alma envelhecida

E quanta alma há naquela menina
Transborda em seu corpo
Como o mar que a praia invade
E arranca o cais em noite de tempestade
Com a mesma força que tem a saudade
Em seu peito ainda em formação.

Anderson Lopes

24 de outubro de 2011

Maré Alta


Pousei os meus olhos no mar
E ao me distrair
As ondas levaram os meus pensamentos...

Anderson Lopes

Ele e o Mar


Olhos lançados ao mar
A lamentar o amor que se perdeu
Alma triste a vagar sobre a orla
O amor não volta
As ondas não trazem o que o tempo levou

Olhos mergulhados no mar
Lá no fundo o amor se esconde?
Não, o mar não revela
Os segredos do tempo
O mar se revolta
Expulsa os olhos
Preserva o amor...

Anderson Lopes

Espera


Pior que a espera
É a certeza da ausência eterna
A falta que ocupa todos os cômodos da casa
O gosto amargo do fim na boca
O sufoco das palavras não ditas...

Ah, quanta vida comprometida
Por conta de um adeus!

Anderson Lopes

Voltei Pro Samba


Voltei pro samba
Mesmo sozinho
Aos poucos eu retomo o meu caminho

De passo em passo
Batucando lento
Deixando a alegria vencer o meu tormento

Voltei pro samba
Mesmo sem a cabrocha
Que fez o meu samba perder a bossa

Agora eu canto
Para ela na avenida
O samba da despedida...

Anderson Lopes

22 de outubro de 2011

18hs


De uma hora para a outra
A noite caiu
E o amor se perdeu no escuro...

Anderson Lopes

Sem Apetite


Tá feita a janta
Tá posta a mesa
E a tristeza
Senta com ela e espera
O apetite que não tem
O alguém que nunca vem.

Anderson Lopes

Noite de São João


Noite de São João
Balão no céu
Fogueira no chão
Fogosbarulhomultidão
Olha a cobra Maria!
Olha a chuva João!
Olho a tudo
E nada alegra o meu coração...

Anderson Lopes

16 de outubro de 2011

Do Menino Que Eu Fui




Corre por estas ruas
O menino que fui
Esbanjando alegria
Fazendo folia
E como um pião
Não para de rodar

Corre por estas ruas
O menino que eu fui
Corre como quem intui
O homem que será
Quando o pião parar de rodar...

Anderson Lopes

Cadeira de Balanço


Rosto que o tempo esculpiu
Voz que a idade desgastou
Corpo tão cansado de existir
Mãos que a experiência calejou

Na cabeça já sem cor
Memórias a caminhar em tempos idos
Amizades perdidas
Amores, corações partidos...

Na cadeira de balanço
Um livro de memórias
A espera de um ponto final de Deus.

Anderson Lopes