15 de maio de 2011

Eu e o Tempo


Cai sobre os meus pés o tempo
Sem medo de ir adiante
Eu não me rendo
Ao tamanho e ao peso do tempo

E sigo em frente
Semeando
O futuro que eu quero colher
Enterrando
O passado que eu quero esquecer
Usufruindo
O momento que estou a viver

E o tempo
Antes implacável
E senhor de si
Rende-se ao ver
Que sobre mim ele não pesa
Que sobre mim ele não tem poder

'...E o tempo se rói
Com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Pra tentar reviver...

[Anderson Lopes__ 'trecho da canção Resposta ao Tempo, de Aldir Blanc]

viviane mosé_ vida e tempo

14 de maio de 2011

Sóbrio

Nenhuma dose
Nenhum trago
Insuportavelmente sóbrio
Nenhuma pílula para aliviar
Nenhuma arma para descarregar
Nenhum abrigo para eu me refugiar
Nenhum sentido
Nenhum inimigo
Para me desafiar
Nem mesmo uma segunda cara
Eu tenho para disfarçar.

[Anderson Lopes]

13 de maio de 2011

Este Cara

Este cara que tu vês
Na mesa do bar
Não é o mesmo cara que se fez
De suor
Antes do sol raiar
Este cara é o outro que habita no outro
Que pede socorro
Que bebe por todos
Que amam sem poupar dor
Este cara é o oco
É o nada no todo
É vitima e refém do teu amor.

[Anderson Lopes]

2 de abril de 2011

Tudo Bem

Tudo bem
Eu vou me ajeitar por aqui
Eu vou me acertar, pode ir
Não precisa se preocupar comigo
Eu vou fingir que entendo os seus motivos
Até acreditar que quem errou fui eu

Tudo bem
Eu vou me esquecer do que vi
Não vou te culpar, pode ir
Não sou do tipo que castiga
O meu cativeiro não esconde a saída
E você está livre para respirar
O novo ar que te envolveu

Leve todos os seus livros
Deixe intacto os meus discos
Apague o meu nome das páginas
Não derramarei nenhuma lágrima
Ao ouvir a nossa canção

Um dia a gente se encontra por aí
E eu vou te mostrar o quanto evoluí
Vamos sentar para conversar
E, civilizados, vamos rememorar
A vida que tivemos em mãos

Tudo bem
Confesso que não sou tão forte assim
E lá no fundo eu desejo que sejas infeliz
Mas a minha boca não confessa
A minha alma seca
Ao te ver indo embora...

[Anderson Lopes]


6 de fevereiro de 2011

Por Trás das Portas


Ruas, digam-me onde ela mora
Em que casa ela se guarda
Para o primeiro que aparecer

Digam-me em que esquina ela se desdobra
E se divide entre a santa e a outra
Para se encontrar e se perder

As pedras que por ela rolam
Na certa saberão dizer
Por trás de qual dessas portas ela se tranca
Depois de tanto acontecer

Ruas, digam-me em que janela ela joga
Os seus versos ao vento
Para o tempo colher.

[Anderson Lopes]