21 de maio de 2012

Amor Vazio




Tão atentos
Tão seguros um do outro
Tão alma e tão corpo
Era assim o amor sem tormento

Tão direito
Tão correto os seus gestos
Tão cal e tão concreto
Era assim o amor sem defeitos

Tão sem Não
Tão sem são chão
Um amor só de Sim
Nuvem
Vão...

Tão sem crises
Tão sem crimes
Um amor sem segredos
Nu
Vão...

*"...Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos."*

Poema: Anderson Lopes
Com trecho do texto "Por Não Estarem Distraídos", de Clarice Lispector