30 de abril de 2012
Diário de Ilusões
Olho atentamente para o espelho
E desconfio de mim
O meu pescoço sustenta uma cabeça que já não me pertence
Penso:
[...]
Eu canto numa praça vazia
As mazelas de um corpo incompatível com a alma
Incomodo os ouvidos mais distantes
Recebo moedas que já não compram nada
Nem mesmo a auforria de minh'alma
Escrava de si
Ando na velocidade da luz
E as horas não passam
Vejo-me congelado num tempo sem registro na história
Invento histórias
Para ocultar verdades sobre mim
Os instantes que a minha mente eterniza são os que eu quero esquecer
Tento me lembrar das coisas boas
E caio de cara no meu vazio
Jogo fora palavras velhas
Arranco as folhas do meu diário de ilusões
Inicio as páginas de um diário novo
E nada de novo me ocorre.
Anderson Lopes
24 de abril de 2012
Tudo Em Mim É Crônico
A dor é física, meu bem
A causa
O excesso
O efeito
O meu corpo responde à agressão
Outrora chorar era remédio
Agora faz doer ainda mais
Tudo em mim é crônico
Agudo
Inveterado
Anderson Lopes
19 de abril de 2012
Quantos Amores Guarda Uma Atriz?
Quantos amores guarda uma atriz
Em seu coração de mil personagens
Em sua face de mil disfarces
Em seu corpo de múltiplas almas?
Quantos pecados comete uma atriz?
E para quantos deuses ela pede perdão
Dizendo ser apenas encenação
Os atos que a levaria ao inferno?
Para quantos céus vai uma atriz?
Quantas vezes ela morre
Para dar vida a outras vidas
Que não morrerm dentro de si.
Anderson Lopes
Em seu coração de mil personagens
Em sua face de mil disfarces
Em seu corpo de múltiplas almas?
Quantos pecados comete uma atriz?
E para quantos deuses ela pede perdão
Dizendo ser apenas encenação
Os atos que a levaria ao inferno?
Para quantos céus vai uma atriz?
Quantas vezes ela morre
Para dar vida a outras vidas
Que não morrerm dentro de si.
Anderson Lopes
A Guerra Silenciosa de Um Boêmio
As tuas palavras ficaram em minha cabeça a noite inteira
Nadando em vodka com as minhas idéias
Enquanto tu dormias eu estava aceso
Pegando no tranco cá com os meus botões
Odiando tudo o que sai da sua boca
Fazendo planos para te golpear no instante em que você acordasse
Ensaiei um mau humor e a pior das caras
Decorei todo um texto de ofensas para desfigurar o seu rosto
Para fazê-lo contorcer de surpresa com as minhas palavras inesperadas
Mas logo amanheceu e enquanto você acordava eu pegava no sono...
Vencido pelo cansaço eu te deixei escapar ilesa
De uma guerra silenciosa
Que só existe em minha cabeça.
Anderson lopes
Nadando em vodka com as minhas idéias
Enquanto tu dormias eu estava aceso
Pegando no tranco cá com os meus botões
Odiando tudo o que sai da sua boca
Fazendo planos para te golpear no instante em que você acordasse
Ensaiei um mau humor e a pior das caras
Decorei todo um texto de ofensas para desfigurar o seu rosto
Para fazê-lo contorcer de surpresa com as minhas palavras inesperadas
Mas logo amanheceu e enquanto você acordava eu pegava no sono...
Vencido pelo cansaço eu te deixei escapar ilesa
De uma guerra silenciosa
Que só existe em minha cabeça.
Anderson lopes
14 de abril de 2012
12 de abril de 2012
Erros Que Se Repetem Por Prazer
Ela continua amando errado
Andando em brasas para merecer o amor de volta
Entrega-se com a mesma facilidade em que se perde
E quando se reencontra nunca está completa
Com o coração nas mãos costurando-o fibra por fibra
E com os olhos afogados em lágrimas
Ela profere falsas promessas
Jura não ultrapassar as barreiras
Mas com o coração costurado e reposto em seu peito vazio
Um novo amor começa a dar sinais...
Anderson Lopes
Andando em brasas para merecer o amor de volta
Entrega-se com a mesma facilidade em que se perde
E quando se reencontra nunca está completa
Com o coração nas mãos costurando-o fibra por fibra
E com os olhos afogados em lágrimas
Ela profere falsas promessas
Jura não ultrapassar as barreiras
Mas com o coração costurado e reposto em seu peito vazio
Um novo amor começa a dar sinais...
Anderson Lopes
6 de abril de 2012
4 de abril de 2012
Um Blues
Eu queria ter toda a força que aparento
Toda a garra que aos outros faço supor
Mas quando a porta se fecha
E a luz se apaga
A fortaleza desaba
E o menino indefeso assume o papel
Deitado no chão do meu quarto
Meus olhos são dois vulcões acordados
Derramando lavas sobre o meu rosto
Deixando suas cicatrizes
Como varizes que vão dos meus olhos até o chão...
Anderson Lopes
Toda a garra que aos outros faço supor
Mas quando a porta se fecha
E a luz se apaga
A fortaleza desaba
E o menino indefeso assume o papel
Deitado no chão do meu quarto
Meus olhos são dois vulcões acordados
Derramando lavas sobre o meu rosto
Deixando suas cicatrizes
Como varizes que vão dos meus olhos até o chão...
Anderson Lopes
Entre Fumaças
Hoje eu te amo como jurei que não mais te amaria
Com aquela força autodestrutiva que já conhecemos
Me empurrando para o vazio que tanto temo
Mais uma vez
Com o cigarro entre os dedos
Vejo o seu rosto se dissipando entre fumaças
Formando uma nuvem negra sobre a minha cabeça
Tapando o meu sol com a sua frieza
Mais uma vez.
Com aquela força autodestrutiva que já conhecemos
Me empurrando para o vazio que tanto temo
Mais uma vez
Com o cigarro entre os dedos
Vejo o seu rosto se dissipando entre fumaças
Formando uma nuvem negra sobre a minha cabeça
Tapando o meu sol com a sua frieza
Mais uma vez.
3 de abril de 2012
A bandeira do Bandeira
Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Das palavras feitas para encantar
Comover
Do lirismo que faz brotar água dos olhares mais secos
Quero antes o lirismo dos loucos
O antilirismo dos ignorantes
O lirismo difícil e pungente dos bêbados
O lirismo que estilhaça as vidraças do pudor
O lirismo marginal de Bukowski
Não quero saber do lirismo que enquadra
Que padroniza
Não quero saber do lirismo que não é libertação.
Anderson Lopes e a "Poética" de Manuel Bandeira
Do lirismo bem comportado
Das palavras feitas para encantar
Comover
Do lirismo que faz brotar água dos olhares mais secos
Quero antes o lirismo dos loucos
O antilirismo dos ignorantes
O lirismo difícil e pungente dos bêbados
O lirismo que estilhaça as vidraças do pudor
O lirismo marginal de Bukowski
Não quero saber do lirismo que enquadra
Que padroniza
Não quero saber do lirismo que não é libertação.
Anderson Lopes e a "Poética" de Manuel Bandeira
O Trevo de Quatro Folhas
“Você devia se valorizar. Até onde você acha que vai com esses seus ‘poeminhas’ de menino que não soube virar homem? Olhe para você. Olhe esta casa, esses papéis espalhados, amontoados de palavras que só dizem alguma coisa para você. Saia. Procure um trabalho. De preferência aqueles que te deixam de cama nos finais de semana sem ânimo até para olhar em volta. Assim sua mente não conversa com o seu corpo e você para de vez com essa ‘viadagem poética’.”
Isso que ela me disse depois de meia dúzia de trepadas. Era isso que ela dizia sempre. Por que ela nunca despejava seu ódio antes, durante a porra do jantarzinho romântico repleto de pratos afrodisíacos para garantir a potência do meu pau? Ela sabia que essas palavras o atingiam diretamente. Velha vagabunda! Fui eu que a transformei numa putinha assanhada. Antes de mim tinha a xoxota tão fria e inanimada quanto um imã de geladeira. Sim, eu devia me valorizar e negá-la no instante em que seu tezão estivesse prestes a fazê-la entrar em combustão. Seria lindo, até poético, ver aquele corpo se contorcendo e eu a provocando com o meu pau que ela não resistia nem em dias de febre. Mas era eu quem não resistia àqueles peitinhos de quarentona, nunca chupados antes de mim. Fui eu quem tirou a virgindade e a sensibilidade daqueles seios adolescentes que, como eu, não souberam amadurecer. Seios adolescentes... Ela agradecia piedosamente aos seus filhinhos por terem rejeitado o leite materno. Como ela sentia orgulho daquelas tetas de vaca virgem, nunca sugados por bezerrinhos famintos. Exibia-os como quem dizia: “Estes o tempo não alcançou!”. E tinha a tatuagem. Um trevo de quatro folhas em volta do mamilo esquerdo com a palavra sorte escrita em japonês. Como era ridículo. Como tudo o que ela fazia para parecer mais jovem era ridículo. Shortinhos, cabelos postiços e o irritante vocabulário cheio de gírias, do tempo da avó de minha avó, ditas com um chiclete na boca que nunca se desgastava.
***
E como foi intensa aquela última trepada. A meia dúzia. Ela se entregou incansável, como se pressentisse sei lá o quê. Talvez a minha morte. Depois que eu parei de cobrar ela queria sempre mais. Nunca passei da quarta. Para chegar até a sexta eu precisaria de uma entidade em meu corpo. Já não era eu quem estava ali servindo aquela Hilda Furacão. Entregou-se como quem procura algo nunca antes encontrado. A última chance. O êxtase antes do fim. Se ela encontrou eu não sei. A reação final foi igual a todas as outras. O uivo de cadela no cio. As unhas de gata assanhada cravada em minhas costas. Isso sim foi diferente. Dessa vez as unhas cravaram as minhas costas e toda a entidade presente em meu corpo já sem reação. Mas eu não morri. Dessa vez não.
***
Gastamos todo o vinho, todos os cigarros e todo o tesão. Depois de saciada ela já não se sentia na obrigação de me agradar. Então vinham as palavras de desdém e os insultas por eu ser um poeta frustrado, beberrão e desempregado. Depois de tudo dito, a última parte do ritual: Ela se vestia, arrumava o cabelo, retocava o batom e pedia para que eu beijasse o seu trevo de quatro folhas em volta do mamilo. Dizia que eu precisava de sorte. Se eu não tinha sorte chupando aquela folha, não era um simples beijo que ia mudar minha vida. Mas eu beijava. E ela ia embora. Mas mal sabia ela (ou sabia?) que dessa vez não era eu quem precisaria de sorte...
***
Sete dias se passaram e eu já gastei todo o vinho, o cigarro e os discos do Tony Bennett.
Ela agora está morta. E eu cada vez mais um poeta perdido em palavras de homem mal crescido, que já não dizem nada nem mesmo para mim.
2 de abril de 2012
O Descobridor
Acabou.
O amor sem medidas descobriu o seu tamanho
E ele não é do tamanho que pensamos.
Cabe no meu bolso;
Cabe no teu seio;
Dentro do teu sutiã.
Meu bolso furado.
Teu seio topless na areia.
O nosso amor sem morada.
Aliança no esgoto
Gosto de alívio no céu da boca.
Saliva em outras bocas.
Beijo a vida.
Fodo a liberdade.
Descubro-me só.
Anderson Lopes
O amor sem medidas descobriu o seu tamanho
E ele não é do tamanho que pensamos.
Cabe no meu bolso;
Cabe no teu seio;
Dentro do teu sutiã.
Meu bolso furado.
Teu seio topless na areia.
O nosso amor sem morada.
Aliança no esgoto
Gosto de alívio no céu da boca.
Saliva em outras bocas.
Beijo a vida.
Fodo a liberdade.
Descubro-me só.
Anderson Lopes
Por Onde Andará Ms. S. A.??
Doce atriz protagonista
De minhas fantasias mais surreais
Em que palco tu agora encenas
O amor que um dia decoraste
Para representar para mim?
Anderson Lopes
De minhas fantasias mais surreais
Em que palco tu agora encenas
O amor que um dia decoraste
Para representar para mim?
Anderson Lopes
Rosinha
Rosinha é desprovida de beleza
Mas o seu corpo é uma represa
Para nela se nadar e se perder
Rosinha já iniciou vários meninos
E remoçou muitos velhinhos
Que na vida não sentiam mais prazer
Rosinha
Pesadelo de esposas
que pelos maridos padecem a noite toda
E dormem sozinhas com os seus filhos
Rosinha
Lembro quando era pequena
A menina já fazia cena
De mulher de mil ofícios.
Anderson Lopes
Mas o seu corpo é uma represa
Para nela se nadar e se perder
Rosinha já iniciou vários meninos
E remoçou muitos velhinhos
Que na vida não sentiam mais prazer
Rosinha
Pesadelo de esposas
que pelos maridos padecem a noite toda
E dormem sozinhas com os seus filhos
Rosinha
Lembro quando era pequena
A menina já fazia cena
De mulher de mil ofícios.
Anderson Lopes
23 de março de 2012
Do Nada Que Há Em Mim
Manhã de outono
O vento sopra os galhos das árvores
Que fitam perplexas suas folhas no chão
A rua vazia e silenciosa
No seu tom cinza sepulcral
É de repente invadida por pombos
Cinzas e sepulcrais
Que disputam ferozes
Migalhas espalhadas no chão
Da janela eu olho a tudo
Preso à minha inércia
Invejo a garra dos pombos
E a nudez das árvores...
*“Sim, algumas vidas foram feitas
Para ser desperdiçadas."
Anderson Lopes_ *Citação: Charles Bukowski
O vento sopra os galhos das árvores
Que fitam perplexas suas folhas no chão
A rua vazia e silenciosa
No seu tom cinza sepulcral
É de repente invadida por pombos
Cinzas e sepulcrais
Que disputam ferozes
Migalhas espalhadas no chão
Da janela eu olho a tudo
Preso à minha inércia
Invejo a garra dos pombos
E a nudez das árvores...
*“Sim, algumas vidas foram feitas
Para ser desperdiçadas."
Anderson Lopes_ *Citação: Charles Bukowski
18 de fevereiro de 2012
O Carnaval
É fevereiro
O samba é curandeiro
A dor de um ano inteiro se esvai no carnaval
O morro se fantasia
Pinta de alegria
As cicatrizes da vida real.
Anderson Lopes
O samba é curandeiro
A dor de um ano inteiro se esvai no carnaval
O morro se fantasia
Pinta de alegria
As cicatrizes da vida real.
Anderson Lopes
15 de fevereiro de 2012
11 de fevereiro de 2012
Só
A solidão foi embora
Mas eu ainda cultivo aquela tristeza
Que me afastou de amores anteriores
A solidão foi embora
Mas eu ainda passo horas sozinho
Para entender melhor as minhas dores
A poesia me quer só
Para escorrer entre os meus dedos
Sem que ninguém perceba.
Anderson Lopes
Mas eu ainda cultivo aquela tristeza
Que me afastou de amores anteriores
A solidão foi embora
Mas eu ainda passo horas sozinho
Para entender melhor as minhas dores
A poesia me quer só
Para escorrer entre os meus dedos
Sem que ninguém perceba.
Anderson Lopes
10 de fevereiro de 2012
3 de fevereiro de 2012
Adeus Solidão
Ah, solidão
Que há tanto tempo me tem
Ela veio para te desafiar
E tomar posse dos desejos meus
Ah, solidão
Em breve não serei tão só
Ela veio para me resgatar
Dos frios aposentos teus.
Anderson Lopes
Que há tanto tempo me tem
Ela veio para te desafiar
E tomar posse dos desejos meus
Ah, solidão
Em breve não serei tão só
Ela veio para me resgatar
Dos frios aposentos teus.
Anderson Lopes
31 de janeiro de 2012
Ê, Zé
Ê, Zé
Arrastando os pés nesse terreiro
Pés que já rodaram o mundo inteiro
Tal qual um vendaval
Ê, Zé
Andarilho guerreiro
O tempo te botou cabresto
Nos limites do teu quintal...
Anderson Lopes
Arrastando os pés nesse terreiro
Pés que já rodaram o mundo inteiro
Tal qual um vendaval
Ê, Zé
Andarilho guerreiro
O tempo te botou cabresto
Nos limites do teu quintal...
Anderson Lopes
29 de janeiro de 2012
De Manhã
Gosto de te ver assim menina
Antes de se vestir de mulher
O rosto sem pintura
A boca ainda pura
Vazia de cor
Com os pés fora do salto
Tão seguros no chão
Os cabelos despenteados
Despreocupados
Sem nenhum pudor
Você, assim menina
Frágil e desprotegida
Sem a segurança da mulher
Forte e destemida
Faz-me sentir mais homem
Mais seguro de mim.
Anderson Lopes.
Abrigo
Ancore em mim os seus problemas
Como um barco vindo do mar revolto
Eu sou o teu porto
Ancore em mim as suas emoções
Como um navio que navega no mar em paz
Eu sou o teu cais
Ancore em mim o seu amor
Com a certeza de que ele estará seguro comigo
Eu sou o teu abrigo...
Anderson Lopes
Como um barco vindo do mar revolto
Eu sou o teu porto
Ancore em mim as suas emoções
Como um navio que navega no mar em paz
Eu sou o teu cais
Ancore em mim o seu amor
Com a certeza de que ele estará seguro comigo
Eu sou o teu abrigo...
Anderson Lopes
28 de janeiro de 2012
Todo o Sentimento
Ah, que vontade de me perder no tempo
No instante em que a gente se ama
Só para carregar para outras vidas as nossas almas
E povoar na eternidade várias casas
Com o nosso amor...
No instante em que a gente se ama
Só para carregar para outras vidas as nossas almas
E povoar na eternidade várias casas
Com o nosso amor...
18 de dezembro de 2011
Quatro Anos
Eu saio marcado
Como um animal que você adestrou por esses anos
E agora, sem sonhos, sem planos
Eu ando cambaleante
Por entre esquinas da cidade delirante
Com a insegurança de quem sai da prisão
E tem a liberdade como única conhecida
O céu não é o mesmo de quatro anos atrás
Os pássaros ganharam penas e asas novas
E as minhas velhas asas são provas
De que da vida eu estive ausente
E agora eu a encaro novamente
Com a estranheza de um cego que recupera a visão
E liberta da escuridão a sua alma aflita.
Anderson Lopes
Como um animal que você adestrou por esses anos
E agora, sem sonhos, sem planos
Eu ando cambaleante
Por entre esquinas da cidade delirante
Com a insegurança de quem sai da prisão
E tem a liberdade como única conhecida
O céu não é o mesmo de quatro anos atrás
Os pássaros ganharam penas e asas novas
E as minhas velhas asas são provas
De que da vida eu estive ausente
E agora eu a encaro novamente
Com a estranheza de um cego que recupera a visão
E liberta da escuridão a sua alma aflita.
Anderson Lopes
16 de dezembro de 2011
Anti-inspiração
Eu sei que não está sendo fácil pra você
Dormir e e acordar comigo
Não tenho sido capaz de sentir nem provocar prazer
O sexo não me torna mais vivo
Você está cada vez menos mulher
Já que seu homem se entregou ao total desgaste do ser
e não endurece como você gosta e necessita
E só deseja ser outro ser para se esconder
Mulher de homem sem poesia
Triste musa abandonada
Lua apagada
Anti-inspiração
Poeta sem poesia é homem sem dinheiro
Passa dias inteiros
Com a folha em branco na mão.
Anderson lopes
15 de dezembro de 2011
Céu de Dezembro
Começo de Dezembro
Não quero fechar os olhos e enxergar lá dentro
E ver a bagunça que ficou a minha alma
Depois da embriaguês dos meses que se foram
Não quero fechar os olhos e enxergar lá dentro
E ver a bagunça que ficou a minha alma
Depois da embriaguês dos meses que se foram
Dezembro veio e me pegou de ressaca
Deparou-se com a minha cara
Imersa em água fria
Odeio quando ele chega
Fazendo cobranças
Trazendo sempre essa tristeza que caracteriza os finais
Infelizes.
Anderson Lopes
16 de novembro de 2011
O Vento Que Te Trouxe De Volta
A saudade que esse vento traz
E as lembranças que eu não queria mais...
O vento soprou e trouxe tudo de volta
Jogou as poeiras por debaixo da porta
Sujando o que eu já havia limpadado
Ah, o vento, esse menino mal criado
Que revira o lixo recolhido
E sopra em meus ouvidos
O que eu já tinha esquecido...
Anderson lopes
30 de outubro de 2011
Bruna
Quanta dor há naquela menina
Tão nova ainda
E a tristeza já fez morada
A vida pesa
Naquelas mãos delicadas
Amores já viveu
Com a experiência de mulher já feita
Amores já perdeu
Já derramou prantos de viúva aflita
A pele muito jovem
Reveste a alma envelhecida
E quanta alma há naquela menina
Transborda em seu corpo
Como o mar que a praia invade
E arranca o cais em noite de tempestade
Com a mesma força que tem a saudade
Em seu peito ainda em formação.
Anderson Lopes
24 de outubro de 2011
Ele e o Mar
Espera
Voltei Pro Samba
22 de outubro de 2011
Sem Apetite
Noite de São João
16 de outubro de 2011
Do Menino Que Eu Fui
Cadeira de Balanço
10 de setembro de 2011
Um Poema Novo
23 de agosto de 2011
O Que Me Afastou De Ti
9 de agosto de 2011
Jogado Na Calçada
Jogado na calçada
Derrubado pela vida
Vomitando restos de alma
Misturados com bebida
Nada dentro de mim
Nada fora
Jogado na calçada
Chamando a atenção de quem passa
Quem há de negar a minha existência
Enquanto eu estiver jogado na calçada?
[Dan S. John]
Noite Solitária

Embriago-me com a sua falta
Até que a minha mente te reconstrói:
Você na minha sala
Sem roupa, sem armas
Você suscetível
Tão no meu nível
Curtindo o som do Doors
Cantando alto
Perdendo a voz
Dançando com o sexo ao vento
Ardendo em chamas por dentro
Come on, baby, light my fire
E incendeie esta noite solitária
Até o dia vir apagar o nosso fogo...
A bebida acaba
E você se vai com o último gole
Adeus, baby
Até o próximo porre.
[Dan S. John]
29 de julho de 2011
Reabilitação

Ela está tentando se reerguer
Depois da última overdose
Consumiu a vida em excesso
E vida em excesso é droga pesada
Morte anunciada
Misturou álcool, amor e ódio
Tudo no mesmo copo
E depois de vários cigarros
Vários tragos de desesperança
Viu sua alma evaporar feito fumaça
É assim toda vez que a tristeza a abraça
E a seduz como um vício sem cura.
[Anderson Lopes]
28 de julho de 2011
Anestesia
Álcool, cigarros e poesia
O vício me anestesia
E a falta do teu amor não me dói
Mas sempre chega o dia
A ressaca
As cinzas
E as palavras de agonia
São registros de uma noite vazia
O meu corpo se esfria
E a necessidade do teu calor
Faz doer até a alma
Aí vem o vício e me acalma
E o meu coração para
De bater por você
[Dan S. John]
Lógica Alcoólica
Confesso, eu sou um desastre
E longe de você eu vou de mal a pior
E como um kamikaze
Lanço-me em queda livre e retorno ao pó
Corre álcool em minhas veias
Já que você sugou todo o meu sangue
Tenho um coração embriagado
Uma garrafa de vodka pulsante
Eu sou apenas um bêbado solitário
E você o meu delírio constante
Perco-me na minha lógica alcoólica]
Consumindo aos goles o seu amor viciante.
[Dan S. John]
27 de julho de 2011
Volto Para o Meu Luto

Volto outra vez para o meu luto
Tiro o seu branco e visto o meu escuro
Volto outra vez a ser sozinho
Bicho acuado e sem carinho
Volto a te ver daqui da jaula
Volto a sentir a sua falta
Volto a querer morrer de tédio
Volto a consumir os meus remédios
Você morreu para mim
E levou a minha vida para o túmulo
Rosas vermelhas enfeitam o seu caixão
Na tentativa de colorir o meu mundo
Luto
Volto para o meu luto
E não luto contra a minha sina
Luto
Volto para o meu luto
Volto para o lado negro da vida
[Dan S. John, ouvindo Back To Black de Amy Winehouse]
Em Outros Vícios
Venha ver eu me destruindo
Talvez há algum pedaço meu que te sirva de adereço
Venha dizer que eu mereço
Um fim trágico assim
Venha ver eu ser rejeitado no céu
E ser condenado a viver mil anos sem amor
Venha vingar a sua dor
E todo o mal que eu te causei
Venha ver o inferno que você me desejou
Nele há tudo de ti que eu não gosto
Venha ver eu tentando me achar em outros vícios
E me evaporar sem deixar vestígios
Venha andar sobre os destroços de mim
E erguer o meu coração ferido
Como um troféu.
[Anderson Lopes]
25 de julho de 2011
Quando o Baseado Acaba
É quando o sol brilha na manhã cinzenta
Que eu percebo o quão dele eu preciso
A noite tem feito estragos
E eu insisto em estar vivo
Quando o baseado acaba
A sobriedade é o mais terrível castigo
A minha alma trepa com o meu corpo
Sussurrando obscenidades em meu ouvido
Eu sinto o meu peso sobre o piso
E a dor da certeza de que eu existo
Oh, eu existo!
[Dan S. John ]
Guerra Pagã
Ela é a minha mulher de Atenas
Tão pequena e tão frágil
Num trago torna-se grande e ágil
Lutando ao lado do seu homem
Numa guerra pagã
Ela é a minha Helena
E toda noite foge comigo
Dois bêbados em busca de prazer e perigo
A procura de quem nos afronte
Numa guerra pagã.
[Dan S. John]
Você Sabia Que Eu Não Presto
Eu disse que eu não presto
Que não tenho casa
Portanto não tenho hora para chegar
Em nenhum lugar
Você sabia que eu fumo
Que costumo encher a cara
E que não sou capaz de amar
Estando num balcão de um bar
Eu trituro a minha vida
Para consumi-la em pó
Oh, baby, eu não sou erva que se cheire
Sou pedra quebrando tudo ao meu redor
Eu vou te levar para o poço
Fuja de mim antes que eu te envolva na minha teia de desgraças
Oh, baby, você sabia que eu não presto
Volte para os seus pais e me deixe só com minha cachaça.
[Dan S. John]
19 de junho de 2011
Aquele Fim
Bebeu
Tragou
Tragou
Injetou Ódio no peito
E saiu para dançar
Injuriado
Sem nada a perder
Sem tempo a ganhar
Atravessou a avenida
Movimentada
Enfurecida
Perdeu-se entre os carros
Achou-se em pedaços
Nos braços da morte
Azar ou sorte
Aquele fim?
[,anderson lopes]
15 de maio de 2011
Eu e o Tempo

Cai sobre os meus pés o tempo
Sem medo de ir adiante
Eu não me rendo
Ao tamanho e ao peso do tempo
E sigo em frente
Semeando
O futuro que eu quero colher
Enterrando
O passado que eu quero esquecer
Usufruindo
O momento que estou a viver
E o tempo
Antes implacável
E senhor de si
Rende-se ao ver
Que sobre mim ele não pesa
Que sobre mim ele não tem poder
'...E o tempo se rói
Com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Pra tentar reviver...
[Anderson Lopes__ 'trecho da canção Resposta ao Tempo, de Aldir Blanc]
14 de maio de 2011
Sóbrio
Nenhuma dose
Nenhum trago
Insuportavelmente sóbrio
Nenhuma pílula para aliviar
Nenhuma arma para descarregar
Nenhum abrigo para eu me refugiar
Nenhum sentido
Nenhum inimigo
Para me desafiar
Nem mesmo uma segunda cara
Eu tenho para disfarçar.
[Anderson Lopes]
13 de maio de 2011
Este Cara
Este cara que tu vês
Na mesa do bar
Não é o mesmo cara que se fez
De suor
Antes do sol raiar
Este cara é o outro que habita no outro
Que pede socorro
Que bebe por todos
Que amam sem poupar dor
Este cara é o oco
É o nada no todo
É vitima e refém do teu amor.
[Anderson Lopes]
2 de abril de 2011
Tudo Bem
Tudo bem
Eu vou me ajeitar por aqui
Eu vou me acertar, pode ir
Não precisa se preocupar comigo
Eu vou fingir que entendo os seus motivos
Até acreditar que quem errou fui eu
Tudo bem
Eu vou me esquecer do que vi
Não vou te culpar, pode ir
Não sou do tipo que castiga
O meu cativeiro não esconde a saída
E você está livre para respirar
O novo ar que te envolveu
Leve todos os seus livros
Deixe intacto os meus discos
Apague o meu nome das páginas
Não derramarei nenhuma lágrima
Ao ouvir a nossa canção
Um dia a gente se encontra por aí
E eu vou te mostrar o quanto evoluí
Vamos sentar para conversar
E, civilizados, vamos rememorar
A vida que tivemos em mãos
Tudo bem
Confesso que não sou tão forte assim
E lá no fundo eu desejo que sejas infeliz
Mas a minha boca não confessa
A minha alma seca
Ao te ver indo embora...
[Anderson Lopes]
6 de fevereiro de 2011
Por Trás das Portas

Ruas, digam-me onde ela mora
Em que casa ela se guarda
Para o primeiro que aparecer
Digam-me em que esquina ela se desdobra
E se divide entre a santa e a outra
Para se encontrar e se perder
As pedras que por ela rolam
Na certa saberão dizer
Por trás de qual dessas portas ela se tranca
Depois de tanto acontecer
Ruas, digam-me em que janela ela joga
Os seus versos ao vento
Para o tempo colher.
[Anderson Lopes]
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