Ângela
Quantas mãos te acenam
Quantos corpos se enfrentam
Para em ti se aventurar
Ângela
De fartas ancas
Parcas esperanças
Carregas em teu caminhar
Ah, Ângela
Eu te vi passar
Triste e descrente
Pelos faróis da Faria Lima
Pelas marginais engarrafadas da vida
Pelos becos sem saída
Pelas avenidas em mim.
Anderson Lopes
1 de outubro de 2012
19 de setembro de 2012
Ser Noturno
Com Imagem de: Ricardo Alves
Visite-o aqui: www.iamfotonico.blogspot.com.br
Meia noite de uma vida inteira sem dormir
A meia luz de uma lua cheia eu reflito
Sobre o que poderiam ter sido os meus dias
Se eu não me esquivasse tanto do sol
Eu não teria essas olheiras de vida mal vivida
Eu teria mais sombra
Para dividir comigo as responsabilidades do corpo...
Meia noite
E as lembranças são seres indesejáveis
Saindo debaixo da cama em que o passado dorme
Para me assombrar
Ah, como é leve o sono do passado
E quanto lixo ele acumula debaixo de sua cama!
Mas os grandes olhos da noite são ternos e consoladores
Imensos olhos vigias de mãe
Que me observam por detrás das cortinas
Olhos que não se fecham enquanto o filho não chega
Enquanto o filho não dorme
Doces e complacentes os olhos da noite!
Confortam-me
Protegem-me
E enfim adormeço...
[Anderson Lopes]
A meia luz de uma lua cheia eu reflito
Sobre o que poderiam ter sido os meus dias
Se eu não me esquivasse tanto do sol
Eu não teria essas olheiras de vida mal vivida
Eu teria mais sombra
Para dividir comigo as responsabilidades do corpo...
Meia noite
E as lembranças são seres indesejáveis
Saindo debaixo da cama em que o passado dorme
Para me assombrar
Ah, como é leve o sono do passado
E quanto lixo ele acumula debaixo de sua cama!
Mas os grandes olhos da noite são ternos e consoladores
Imensos olhos vigias de mãe
Que me observam por detrás das cortinas
Olhos que não se fecham enquanto o filho não chega
Enquanto o filho não dorme
Doces e complacentes os olhos da noite!
Confortam-me
Protegem-me
E enfim adormeço...
[Anderson Lopes]
4 de setembro de 2012
Aos Olhos do Grande Centro
Espreitam-me os olhos da rua
Pupilas dilatadas
Pesa-me o seu olhar
Constrange-me
Mas não me paralisa
E eu sigo
Despido pelo grande centro
Esquinas, avenidas, viadutos me atravessam
Os carros atropelam a visão “feliz de cidade”
E os meus olhos se lançam suicidas do alto dos prédios sem fim
Os arranha-céus sangrando as nuvens
Os Homens Máquinas sem controle
Os Anti Homens Máquinas sem uso
E eu
Compomos a paisagem que dilata os olhos da rua
Mas a minha alma a rua não enxerga
O grande centro não me despe por completo
E eu sigo embalagem
Prejulgado
Mas com a alma intacta...
“E foste um difícil começo
Afasto o que não conheço
E quem vende outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso...”
[Anderson Lopes]
14 de agosto de 2012
Antes Areia, Agora Asfalto
Dormi brisa
Acordei furacão
A abalar as estruturas
E a arquitetura da cidade
Com mãos que tudo empurram
Com pés que nada esperam
Dormi calmaria
Acordei tempestade
O céu me obriga a falar
E a minha voz é de trovão
Os meus olhos se fecham como nuvens que se chocam
Ao chorar ,torno-me chuva
E choro
E chovo
Dormi seca
Acordei garoa
Antes areia
Agora asfalto
Dormi Bahia
Acordei São Paulo.
[Anderson Lopes]
30 de julho de 2012
Em Terra Firme Me Firmo
Diante do que se foi
Encima do que já não há
Abaixo do inalcançável
Ancoro a tristeza
E as inquietações da vida
Farto do mar e suas ondas
Farto de não ter aonde chegar
Em terra firme caminho
Embora hesitante
Não estou seguro da firmeza desta Terra
É frágil a sua estrutura
E forte são os seus destruidores
Mas não penso em voltar para o mar
E o enjoo das oscilações
Distante da tristeza
E das inquietações da vida
Em nada lembro o Marinheiro que fui
Firmo nesta Terra os meus pés
A fim de que eles criem raízes
E me deem a segurança que eu nunca tive no mar...
Anderson Lopes
Encima do que já não há
Abaixo do inalcançável
Ancoro a tristeza
E as inquietações da vida
Farto do mar e suas ondas
Farto de não ter aonde chegar
Em terra firme caminho
Embora hesitante
Não estou seguro da firmeza desta Terra
É frágil a sua estrutura
E forte são os seus destruidores
Mas não penso em voltar para o mar
E o enjoo das oscilações
Distante da tristeza
E das inquietações da vida
Em nada lembro o Marinheiro que fui
Firmo nesta Terra os meus pés
A fim de que eles criem raízes
E me deem a segurança que eu nunca tive no mar...
Anderson Lopes
18 de julho de 2012
10 de julho de 2012
A Embriaguês Necessária
É fria a manhã de domingo
É tão cedo e os pensamentos vieram sacrificar o meu sono
Como pequenos blocos de gelo caindo sobre o meu corpo descoberto
Não respeitando a rigorosidade do inverno
A embriagues é necessária
Preenche o vazio e me aquece
Embora faça doer a minha cabeça ainda mais
E a dor também é necessária
Ocupado com ela eu até me esqueço de que a alma está ferida
E sangra desde a noite passada
Mas de repente vem à memória o seu rosto em flashbacks torturantes
Sofrer se torna inevitável e eu me afogo no lago escuro das lamentações
Ela estava tão bonita ontem à noite
Como nunca ousou estar para mim
E eu a observava da minha torre de inseguranças, a imaginar o que poderíamos ter sido
Se o amor para ela não fosse tão instável
Ela veio até a mim e me sorriu, livre de qualquer remorso pelo nosso fim
O seu olhar, indiferente a minha saudade, perfurou o meu peito, atingiu a alma
E fez o trem das emoções sair dos trilhos ali mesmo em sua frente.
Eu voltei mais cedo para casa
Com um poço congelado de lágrimas que ainda derrete e compromete a visão
E eu acordei mais cedo e sozinho
O dia será maior e a embriaguês é necessária
Para amortecer o impacto e a agonia dos pensamentos.
Anderson Lopes
27 de junho de 2012
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